Torres Vedras - Festas da Cidade

RESERVA - Fórum de Inovação de Gastronomia e Vinho

O Reserva | Fórum de Inovação de Gastronomia e Vinho decorre entre os dias 1 e 3 de novembro. Os melhores néctares da região vão estar no Pavilhão Expo do Parque Regional de Exposições, entre as 15h00 e as 22h00.

O evento vai promover o trabalho dos produtores locais, mas também dar a conhecer iniciativas e projetos inovadores associados ao vinho e à vinha, à gastronomia local, aos produtos endógenos e aos serviços associados.

Por três euros, poderá adquirir um copo de vidro com porta-copos e ter acesso às provas que dão forma ao “Reserva”.

 

PROGRAMA

1 de novembro

15h00 às 22h00 | Para petiscar e harmonizar - restaurante Picanharia

O restaurante Picanharia é convidado a participar nesta mostra permanente de cheiros aromas e sabores. O público poderá degustar um petisco gastronómico das propostas dos restaurantes aderentes.

Propostas:

 


15h00 às 16h00 | A seleção do chef: Tiago Emanuel Santos (restaurante Quorum) - tema: arroz

É o conduto incontornável, mesmo acompanhando pratos completos. O português tem sempre espaço para o arroz nas suas refeições. O chef Tiago Emanuel Santos conhece bem o produto e suas muitas declinações culinárias.

 

16h00 às 17h00 | Conversa selecionada: O papel do Smart Farm Colab na mitigação das alterações climáticas na vinicultura

José Eiras Dias coordenador do pólo de Dois Portos do INIAV  | Estudo de caracterização morfológica e molecular das variedades nacionais de videira - Projeto Nacional de Apelografia

José Silvestre INIAV de Dois Portos – Estudo de adaptação das variedades de videira às alterações climáticas.

Pedro Brasil | PIXAIR - Fotografia e imagem aérea | Como podem as tecnologias apoiar a vitivinicultura.


17h00 às 18h00 | A seleção do chef: José Maria Lino, Quinta da Almiara e Bacalhau Constantinos - tema: bacalhau


17h30 às 18h30 | Concurso "A minha sobremesa tem Pastel de Feijão de Torres Vedras"


18h30 às 19h30 | A seleção do chef: Rui Fernandes - tema: uvada na gastronomia


19h00 às 20h00 | A seleção do enólogo: Julião Batista, Adega Cooperativa de Carvoeira

Provas comentadas com o enólogo Julião Batista, da Adega Cooperativa de Carvoeira. O público terá a oportunidade de ficar a conhecer um pouco melhor os vinhos de Torres Vedras a partir dos especialistas envolvidos na sua criação.


20h30 às 21h30 | Música selecionada: Bia Maria, música portuguesa

Beatriz de nome, Maria na voz e Oureense de gema.

A sua música é uma mistura de sonoridades doces, mas crescidas, que nos transportam até um universo de palavras certas, sobre histórias de amor e desamor, presságios e sonhos. Um passeio desde a bossa nova ao pop, com um jeito de fado sempre cantado no tão bonito português.

Podemos encontrá-la no projeto a "Música Portuguesa a Gostar dela Própria" a interpretar canções como Maria ou Andorinhas da sua autoria ou no Fnac Novos Talentos’19 com Dissabor. Tendo tocado um pouco por todo o país destaca-se a sua atuação no Palco Coreto do NOS Alive'19.

Apresenta-se sozinha ou acompanhada por amigos e prepara neste momento o seu primeiro EP –Mal Me Queres, Bem Te Quero, a ser editado no mês de outubro pela Chinfrim Discos. Até lá podem ouvir o single José.



2 de novembro

15h00 às 22h00 | Para petiscar e harmonizar - Restaurante... do Pisão

O Restaurante... do Pisão é convidado a participar nesta mostra permanente de cheiros aromas e sabores. O público poderá degustar um petisco gastronómico das propostas dos restaurantes aderentes.

Propostas:

 


15h00 às 16h00 | A seleção do chef: João Sá (restaurante Sála) - tema: cascaria

Jovem chef de reconhecidos méritos, já passou pela chefia de cozinhas de grandes restaurantes de Lisboa, para além de um trabalho exemplar como professor na Escola de Hotelaria de Lisboa, é conhecido pelas suas abordagens inovadoras de fusão de sabores e de recuperação de sabores e memórias tradicionais.


15h00 às 17h00 | Concurso "Pastel de Feijão de Torres Vedras 2019"


18h00 | Lançamento do Guia de Enoturismo de Torres Vedras


18h30 às 19h30 | Conversa selecionada: Enoturismo: de Torres Vedras para o Mundo

Moderador: Edgar Lameiras | IPL - coordenador dos pós graduação Wine Business
Oradores:

 

19h00 às 20h00 | A seleção do enólogo: Rui Vieira, Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa

Provas comentadas com o enólogo Rui Vieira, Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa. O público terá a oportunidade de ficar a conhecer um pouco melhor os vinhos de Torres Vedras a partir dos especialistas envolvidos na sua criação.


19h30 às 20h30 | A seleção do chef: Patrícia Borges (Docapesca Peniche) - projeto "É Carapau!"

Nascida e criada em Peniche, acabou por formar-se em cozinha e hoje é uma especialista em pescado. Patrícia Borges, chef e docente na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTTM), em Peniche, é uma espécie de embaixadora da Docapesca e sempre que tem possibilidade tenta ensinar os consumidores a escolher um bom peixe. Acima de tudo, um que seja sustentável, como a cavala ou o carapau.

É neste contexto que a chef Patrícia se torna embaixadora da quinzena gastronómica do carapau de Torres Vedras “É carapau!” neste showcooking.

 

20h30 às 21h00 | Música selecionada: Nanã Sousa Dias, trio jazz

Nanã Sousa Dias.

Nasceu em Torres Vedras e desde cedo demonstrou interesse pela música. Tocou com inúmeros artistas e a solo. O jazz foi sempre uma inspiração, daí ter sido convidado várias vezes por Luís Villas-Boas para tocar nos Festivais de Jazz de Cascais, Estoril e Lisboa. Outra paixão que tem para além da música é a fotografia. Pensamos não estar longe da verdade quando dizemos que ao observarmos alguns dos seus trabalhos fotográficos, nos vem à cabeça o som do seu saxofone como música de fundo… No “Reserva” Nanã apresentará sons do jazz com o acompanhamento de bateria e teclado e alguns dos seus trabalhos fotográficos servirão de pano de fundo.


21h00 às 22h00 | Cerimónia de entrega de prémios dos concursos "Pastel de Feijão de Torres Vedras 2019", "Vinho tinto e vinho branco de Torres Vedras 2019", "A minha sobremesa tem Pastel de Feijão de Torres Vedras 2019" e "Concorso Enologico Internazionale 2019 Città del Vino"

 

3 de novembro

15h00 às 22h00 | Para petiscar e harmonizar - restaurante wine bar O Patanisca

O restaurante wine bar O Patanisca é convidado a participar nesta mostra permanente de cheiros aromas e sabores. O público poderá degustar um petisco gastronómico das propostas dos restaurantes aderentes.

Propostas:

 


15h00 às 16h00 | A seleção do chef: Rodrigo Castelo (restaurante Taberna Ó Balcão) - tema: peixes menores do mar e do rio

O chef Rodrigo Castelo, conhecedor profundo da fauna de água doce e salgada, tem desenvolvido trabalho notável na valorização das diferentes espécies e respetivas possibilidades culinárias.


16h00 às 17h00 | Conversa selecionada: Uvada em Torres Vedras - uma memória coletiva de saberes e afetos  

Oradores:


17h00 às 18h00 | Prova comentada de uvadas de Torres Vedras

18h00 às 19h00 | A seleção do chef: Hugo Batista e Marco Cruz (restaurante Átrio) - tema: polvo e sardinha

No mar esta união seria impossível, contudo, neste espetáculo de cozinha os chefs Hugo Batista e Marco Cruz do restaurante Átrio de Torres Vedras irão mostrar que, no prato, esta união fará muito sentido.

18h30 às 19h30 | Coktails originais com produtos de Torres Vedras | bartender Miguel Gomes - tema: OldNosey e Terra de Dinossauros 

19h00 às 20h00 | A seleção do enólogo: Alexandra Mendes, Adega Cooperativa de Dois Portos

Provas comentadas com a enóloga Alexandra Mendes, da Adega Cooperativa de Dois Portos. O público terá a oportunidade de ficar a conhecer um pouco melhor os vinhos de Torres Vedras a partir dos especialistas envolvidos na sua criação.


20h00 às 21h00 | A seleção do chef: Fernando Campina - tema: "Carapau de corrida" - sushi de carapau, algas, tomate e biovivos

O sushi de Fernando Campina irá surpreender pela sua criatividade e sabor, onde os produtos locais, especialmente o tomate serão a combinação perfeita.


21h00 às 21h30 | Música selecionada: Campina Dj

Do jazz ao punk rock, funk, chill, DnB, reggae, dub e bossa! Desde sempre um Digger insaciável tornou-se DJ com versatilidade musical capaz de se adaptar a vários ambientes musicais. Primeiros passos dados ao serviço Radio Kaset com alguns podcasts e atuações que permitiram abrir algumas "portas" em 2013 e 2014 e 2015 para Santa Cruz Ocean Spirit e Santa Summer Sounds, Living Opera, Noah - Surf House até ao circuito Nacional DC Skate Challenge com Dj Guilhas desde então.

 



Vinhos 

O Terroir de Torres Vedras

A frescura da influência atlântica e a diversidade explicam a variedade e a fama dos vinhos produzidos neste território.

Com uma ocupação superior a sete mil hectares de vinha, são mais de vinte os produtores que apresentam verdadeiros néctares. As terras de Torres Vedras são, essencialmente, de policultura. No entanto, a vinha, que se espalha pelas suas encostas ocupa um lugar cimeiro. A tradição vinícola remonta, pelo menos, ao tempo da colonização romana. Já a cultura metódica da vinha parece ter-se reforçado em meados do século XVIII, e no início do século XX o vinho “Torres” foi reconhecido pelo Decreto nº1 de 10 de maio de 1907.

A vinha estende-se por todo o concelho de Torres Vedras ocupando solos provenientes de formações Jurássicas e eventualmente do Cretácico. A proximidade do Oceano Atlântico e os solos predominantemente argilo-calcários, cuja textura pode variar entre argilosa e franco-arenosa, produzem vinhos muito originais.

O Sol mediterrânico expressa-se em fáceis maturações e força alcoólica, enquanto o tempero Atlântico, de neblinas e brisas estivais, equilibra a acumulação de açúcares, resultando em vinhos marcados por uma refrescante acidez natural e grande mineralidade. Os vinhos brancos e tintos são conhecidos e apreciados, sendo considerados dos melhores que se produzem em Portugal.

"Dos vinhos produzidos, os tintos são encorpados e cheios de cor, muito secos podem envelhecer vários anos, e adquirem com o envelhecimento uma qualidade notória, desde que acondicionados e guardados de forma apropriada. Os vinhos brancos de cor amarelo-citrino, pouco carregada, são decididamente aromáticos sem excessos e são muito procurados para acompanhar iguarias várias."



Gastronomia

Torres Vedras, território de ampla riqueza gastronómica concebida por produtos da terra, genuínos, e de paladares que remetem para a tradição.

A contemporaneidade atribuída à tipicidade da gastronomia local permite a recriação de tempos ancestrais, desvendando segredos que os sentidos respigam.

Do mar surte uma das bases gastronómicas associada à cultura deste povo. Da terra, os sabores mais cuidados. Da história, a herança dos saberes. Da inspiração, a paixão pela partilha de momentos de comunhão à volta da mesa.

Em Torres Vedras, a gastronomia funde-se com a experiência de viver e sentir uma terra que bem acolhe, onde a diversidade, a qualidade e o requinte permitem mergulhar num jardim de paladares, aromas e tonalidades que conferem carisma ao lugar.

O outono anuncia, cuidadosamente, os temperos mais vigorosos que se atribuem aos produtos da época configurando criatividade às propostas dos chefes. Terminada a vindima, é tempo de celebrar, de provar e de partilhar o melhor que a vida nos dá nas Festas da Cidade de Torres Vedras!


Enoturismo

O vinho e a gastronomia estão nos lugares cimeiros do que os turistas procuram. Importante fator de diferenciação, o enoturismo permite não só a degustação e a aquisição de vinhos, como a oportunidade de viver experiências únicas, fruto de um rico património histórico e cultural.

Os vinhos na região vinícola de Torres Vedras são parte integrante de uma oferta diversificada que inclui um rico património histórico e cultural e um vasto conjunto de equipamentos como quintas, adegas, museus, restaurantes e lojas especializadas em vinhos, sem esquecer os eventos que lhe são dedicados.

Terra de turismo por excelência, Torres Vedras possui também uma rede de unidades de alojamento diversificada e de qualidade, desde hotéis 5*, a alojamentos de turismo rural inseridos na natureza e parques de campismo, que permitem ao visitante uma diversidade de escolha.



Pastel de Feijão de Torres Vedras 

O Pastel de Feijão de Torres Vedras é um bolo de pastelaria, doce, individual de pequeno formato, assado no forno. Tem, como base, os ingredientes tradicionalmente utilizados na pastelaria conventual portuguesa. O recheio compõe-se de feijão branco popularmente conhecido como feijão “fidalgo”, miolo de amêndoa (recentemente pelada), gemas de ovos, açúcar e água. A massa envolvente, de farinha, água, gordura vegetal e sal.

É um doce de consumo individual, com formato típico de um pastel ou pequeno bolo confecionado tradicionalmente nos lares portugueses. A forma é tronco cónica de menor diâmetro na base; o tronco vai alargando até ao topo e remata numa superfície circular, levemente abaulada, de maior diâmetro e com bordos bem definidos. À vista, a base e a parede tronco cónica, de tonalidade amarelo palha e brilho mate, apresentam uma textura lisa e fina, bem formada e uniforme, de aspeto quebradiço, deixando perceber, através da massa envolvente, os constituintes do recheio. A parte superior, mais rugosa, baça e crocante, denota a migração do açúcar e respetiva cristalização, apresenta uma tonalidade castanho-dourada. Verificam-se, por vezes, pequenas variações na tonalidade em resultado da temperatura do forno e duração do tempo de cozedura.

As dimensões são, de um modo geral, homogéneas, mas com pequenas variações impostas pelas formas utilizadas por cada fabricante (o peso de cada pastel situa-se entre 60 a 75 gr; a altura, entre 25 e 34 mm; o diâmetro da base entre 30 a 45 mm e o superior, entre 60 a 70 mm).

Ao corte, o recheio – ou espécie – é amarelo (cor que lhe é conferida pela grande quantidade de gemas utilizadas na sua confeção), grumoso e húmido, notando-se a amêndoa triturada e mesmo o feijão, de consistência esponjosa.

Ao provar, sente-se a capa a cortar e o recheio a envolver-se, transmitindo o paladar único deste doce. O Pastel de Feijão de Torres Vedras tem um aroma claro a amêndoa, por vezes a gema de ovo, sentindo-se também, por fundo, o feijão. O sabor da amêndoa é o último a desaparecer do paladar após a ingestão.

Todos os ingredientes utilizados são naturais, e de origem vegetal (exceto a água e o sal), sendo os mesmos que se utilizam desde a origem do Pastel de Feijão de Torres Vedras, sem recurso a quaisquer aditivos ou auxiliares tecnológicos.

Apresenta-se acondicionado individualmente num invólucro de papel apropriado, ostentando menções alusivas ao produto ou ao produtor assim como as caixas de papel de 6 ou 12 unidades. Esta é a forma tradicional de apresentação.

A área geográfica de produção e de acondicionamento do Pastel de Feijão corresponde exatamente à área do concelho de Torres Vedras. Um particular "saber fazer local", consequência de um longo percurso de observância de velhas práticas, ainda que com muito ligeiras diferenças de acordo com o “ramo histórico” de cada produtor é, porventura, o segredo que distingue o método de fabrico do Pastel de Feijão de Torres Vedras granjeando-lhe uma enorme reputação.

 

Referência Histórica

Prova de origem: uma história ancestral, conventual e familiar de Torres Vedras 

As características diferenciadoras do Pastel de Feijão de Torres Vedras são-lhe conferidas pela fidelidade que, de forma continuada, os diferentes produtores têm observado relativamente à sua matriz primitiva. Essa circunstância – porventura o aspeto mais marcante da sua identidade – perpassou o século XX e, pelo menos, a última metade do século XIX.

Mas a sua diferenciação resulta da manutenção das práticas primitivas, mas também da conjunção das experiências adquiridas, acumulados ao longo dos anos e do apuramento do saber fazer dos produtores de Torres Vedras que, desde então, se têm dedicado a esta atividade da doçaria tradicional. Tudo isto, sustentado por uma longa e intrincada teia de cumplicidades, de “saberes” monásticos iniciais, de relações familiares, afetivas e laborais.

A receita, transmitida ao longo de gerações e a associação à figura tutelar da velha pasteleira, de um saber feito de aprendizagens e ensinamentos que só ela detém, conduzem-nos a um registo de intimidade e de compromisso – mais evidente, no entender de Joaquim Pais de Brito – sempre que estamos perante "preparações de ovos e açúcar que saíram dos conventos", isto é, quando "o segredo tem algo de sagrado na promessa de não o revelar".

A origem conventual do Pastel de Feijão de Torres Vedras – tal como a da generalidade da doçaria conventual portuguesa – é denunciada pelo farto uso de açúcar, gema de ovos e amêndoa na sua composição. Também o seu percurso é análogo ao de outros doces com a mesma origem: em data indeterminada, transpôs a cerca do convento e laicizou-se, passando a guarnecer as mesas da burguesia e nobreza. Assim viveu uma primeira fase – porventura errante – e acabou por se fixar em Torres Vedras, onde ocupou lugar de destaque entre as iguarias com que se deliciava a sociedade torriense em meados do século XIX. Daí até à sua “popularização”, foi um passo…

Reconstituir este percurso tem vindo a confrontar quem o intenta com algumas dificuldades – o correr dos anos fez assentar sobre os factos uma névoa que estimula a imaginação, o convívio quotidiano (que tende a minimizar a importância do que nos rodeia) foi esbatendo o rigor das memórias – motivos mais do que suficientes para que a história do Pastel de Feijão de Torres Vedras nunca venha a estar completa.

Uma abordagem praticável no sentido de superar essas contrariedades é decifrar o seu trajeto e isso passa, necessariamente, pela perceção dos relacionamentos interpessoais em que este se alicerça.



Um legado familiar - uma herança afetiva

Por volta de 1840, vinda de Castelo Branco, onde nascera, instalou-se na Quinta das Lapas em Monte Redondo concelho de Torres Vedras, uma D. Joaquina Júlia Rodrigues da Silva, que veio a falecer na então vila de Torres Vedras em 1896. Dessa senhora sabe-se que regalava os seus familiares e amigos com uns deliciosos pastéis de feijão. Pastéis esses que teria conhecido em algum convento da sua região de origem? Pastéis cuja fórmula inventara ainda na terra natal, ou já na terra de adoção, ou que se limitara a recriar? Não o sabemos e, provavelmente, nunca o viremos a saber.

Do que não resta dúvida é que nesta raiz entronca a fórmula dos pastéis de feijão tal como hoje os conhecemos. Com efeito, quer por legado de amizade – a Maria José Frutuoso - quer familiar a Maria Adelaide Rodrigues da Silva (conhecida por Mázinha), o saber de D. Joaquina Júlia deixou o recato da origem e saltou para a ribalta da atividade comercial até aos dias de hoje. A sobrinha-neta aprendeu a receita, casou com o Sr. Álvaro de Fontes Simões que decidiu explorar comercialmente os doces. Assim, nasceram os pastéis de feijão da marca “Maria Adelaide Rodrigues da Silva”.

Estimulado pelo sucesso alcançado pelos pastéis de feijão com a chancela da marca Maria Adelaide Rodrigues da Silva, herdeiros diretos do prestígio atribuído aos de D. Joaquina Júlia, um enteado, Virgílio de Fontes Simões – empreendedor como o pai – abalançou-se, em 1940, a montar um negócio próprio, primeiramente de confeção artesanal e, mais tarde, de confeção semi-mecanizada. Contou, para tal, com o precioso apoio de sua mulher D. Judite Simões, sabedora de alguns dos “segredos” da arte de fazer pastéis de feijão da madrasta do marido. Assim nasceu a Fábrica Coroa, que ainda hoje trabalha.

Também até aos nossos dias perdura uma outra marca proveniente do mesmo tronco comum.

O marido da Maria Adelaide Rodrigues da Silva tinha, para além do filho Virgílio, tinha mais descendência: uma rapariga, de seu nome Custódia Virgília. Tal como ocorrera com o irmão e a cunhada, também ela era brindada pela madrasta com o conhecimento “saber fazer” que herdara da matriarca, Joaquina Júlia. Casada com José Duarte Brasão, D. Custódia Virgília Simões Brasão seguiu o mesmo rumo por que optara o seu irmão Virgílio e estabeleceu-se com o seu próprio negócio, escolhendo para o denominar, o apelido do marido. Assim surgiu, em 1947, a Fábrica Brasão.

Com o final do século XIX, o surgimento de inúmeras marcas de carater comercial – sem vínculo aparente ao “ramo” da percursora, D. Joaquina Júlia, mas na sua vizinhança – marca o início de uma pequena “revolução industrial”.

Alguma destas marcas ainda hoje persistem: Havaneza (marca registada em 1900, mas já fabricava pastéis em data anterior), Brasileira (1930) e Império (antigo Café a Nossa Terra) herdeiro da marca comercializada pelo seu primeiro proprietário, Manuel F. Silva Guerreiro e já existente em 1927.



Prova Histórica

A Imprensa desempenhou ao longo de todo o séc. XIX, um importante papel, espelhando as vivências das sociedades e, em Torres Vedras a recém criada imprensa local não foi exceção.

 

Cândido Vieira e Adolfo Coelho 

Em 1894 podia ler-se na edição nº 24 do jornal A Vinha de Torres Vedras, um dos pioneiros da imprensa local: “Do Sr. Cândido Sousa Nascimento Vieira, recebemos uma dúzia de Pastéis de Feijão, especialidade desta terra e que o Sr. Vieira vende no seu estabelecimento no largo D. Carlos I na sua secção de pastelaria. Os pastéis que recebemos e agradecemos são na realidade excelentes, nunca os comemos melhores”. Esse singelo agradecimento na terceira página do periódico, secção Dia a Dia, evidencia algumas circunstâncias relevantes. Desde logo, o facto de os pastéis já então designados pelo nome por que hoje os conhecemos – "Pastéis de Feijão", serem, à época, já comercializados (pelo menos, desde junho desse ano) na seção de pastelaria do estabelecimento do Sr. Vieira).

A existência, em data anterior a 5 de julho desse ano, de um ou mais fabricos de pastéis similares (já saboreados antes de haverem sido provados os pastéis em causa) – condição obrigatória para que tenha sido possível compará-los: “nunca os comemos melhores”. O editor de A Vinha, Manuel Francisco Marques (ou o seu irmão Joaquim Pedro Marques, gerente do jornal – seguramente um deles, porventura ambos) antecede o "excelentes" com que enaltece a superior qualidade daqueles pastéis, em particular, de uma caracterização dos Pastéis de Feijão, na generalidade, considerando-os “especialidade desta terra”. Apenas produtos com carácter ou produtos com reputação conferida pela sua expressão local se podem considerar especialidade de um qualquer lugar e – voltando a citar Pais de Brito – em regra, as comidas emblemáticas dos lugares, as especialidades locais, constam de "uma preparação à base de açúcar, uma especialidade de doçaria. (...) São mimos associados ao dom pelo que têm de supérfluo e caro, e à singularidade de só existirem naquele local. É aquilo que se traz para os amigos, para a namorada, para os pais, para os avós, para os filhos, quando se faz uma viagem, para se dar a conhecer e partilhar o lugar onde se esteve."

É o que sucede com o Pastel de Feijão, que já desde finais do século XIX é, reconhecidamente, o doce emblemático de Torres Vedras. Disso nos dá conta a edição, datada de 1896, da proposta de programa para uma exposição, a realizar daí a dois anos, integrando as celebrações do quarto centenário da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia. O autor, Adolfo Coelho, Presidente da Secção de Ciências Étnicas da Sociedade de Geografia, averba-o, sob a designação "Pastel de Feijão de Torres Vedras", entre os trinta e oito "doces característicos de localidades" que considera deverem figurar na "Exposição Ethnografica Portugueza".

Recentemente a ACIRO- Associação Comercial, Industrial e de Serviços da Região Oeste criou uma secção de produtores de Pastel de Feijão de Torres Vedras nos seus estatutos que, com o apoio técnico da Câmara Municipal de Torres Vedras e da Associação QUALIFICA / oriGIn Portugal e em conjunto com 20 marcas de Pastel de Feijão de Torres Vedras, foram responsáveis pela redação do caderno de especificações do PFTV e pela entrega do pedido de Qualificação de Torres Vedras como IGP para o produto pastel de feijão (ao abrigo do Reg. EU n.º 1151/2012) no passado 26 de novembro de 2018, endereçado à Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo – Santarém.

 


Uvada de Torres Vedras

Descrição

A Uvada é um doce de fruta, todos os ingredientes utilizados são de origem agrícola, preparado com o mosto de uva fervido, chamado arrobe, ao qual se junta fruta cortada em pedaços, mais frequentemente maçãs. Confecionada sem açúcar junta usualmente 3 ingredientes - o sumo da uva madura (se possível de maior grau), as maçãs de espécie variada e a canela (em pau durante a cozedura e/ou em pó no final para dar sabor e decorar - opcional).

Hoje, uns usam mosto das suas vinhas, outros compram o mosto a produtores de vinho de Torres Vedras. O objetivo é utilizar o mosto fresco, não fermentado. O tipo de casta varia conforme a disponibilidade e o gosto de cada um, sendo frequentes as castas Fernão Pires e João Santarém/ Piriquita.

Há algumas décadas, na zona de Torres Vedras, o pero “focinho de coelho”, pero “ferro” ou “maçã azeda” eram as espécies mais utilizadas para juntar ao concentrado de mosto e fazer a uvada. Hoje, porque não se encontra facilmente estes frutos, utilizam-se as maçãs disponíveis na altura das vindimas, a maçã Bravo, só, ou junto com outras variedades como, por exemplo, as maçãs starking, fugi, golden ou Granny Smith.

A confeção da uvada, produzida em grandes quantidades no outono, pelas vindimas, pode demorar vários dias. Começa com a apanha da uva seguindo-se o esmagamento e extração do mosto (com vestígios de pele e grainha), a produção do arrobe, a junção das frutas e, num processo lento e acompanhado, a cozedura até atingir o “ponto estrada” que lhe confere uma cor castanho dourado, escuro e intenso.

Este doce caracteriza-se por ser um produto bastante ácido, com uma riqueza considerável em açúcares redutores, bastante caramelizado, dado a tecnologia de fabrico utilizada, o que se traduz nos elevados teores em hidroximetilfurfural e também rico em alguns catiões como seja o cálcio, potássio e magnésio (Caldeira, 1995).

A uvada é um doce que se conserva de um ano para o outro e pode ser consumida no pão, com frutos secos ou queijo. A atual prática mostra que a percentagem da redução do mosto em arrobe é bastante variável, dependendo do gosto de quem cozinha. Há quem reduza o mosto para 2/3, outros para metade, 1/3 ou 1/4, ganhando consistências diferentes.

A forma de apresentação ao público, tradicionalmente, pode assumir duas formas: tipo compota (aspeto de textura mais liquida, servida a partir de uma colher) apresentada em frasco de vidro, ou, tipo marmelada (aspeto de textura mais consistente, podendo ser fatiada) apresentada em tigelas com papel vegetal embebido em aguardente (forma de conservação microbiológica).

O que distingue a Uvada de Torres Vedras de outras existentes na região Oeste é a qualidade da matéria-prima utilizada (mosto proveniente do terroir de Torres Vedras) da pectina existente nas maçãs utilizadas (gelificante) e o “ponto estrada” que varia de produtor para produtor. Um particular “saber fazer local”, consequência de um longo percurso de observância de velhas práticas, a manutenção de uma memória coletiva de saberes e de afetos.



Origem e história

Sendo Torres Vedras um dos concelhos com maior tradição vitivinícola do país, logo, naturalmente a Uvada sempre esteve presente na mesa dos Torrienses, fazendo parte do seu património genético, havendo registos orais que o comprovam.

Vários testemunhos referem que, há algumas décadas, o mosto era feito de uvas apanhadas em vindimas próprias ou dos “rabiscos” (a apanha dos cachos de uva que depois das vindimas ficavam nas cepas e podiam ser apanhados por quem quisesse), assim como do aproveitamento das maçãs e ou abóboras existentes.

Em Portugal a prática tradicional do fabrico do arrobe é associada a todo o país, em particular às regiões vitivinícolas, tendo sido essencialmente utilizado como substituto do açúcar a juntar a vários pratos, por exemplo às papas de milho ou às papas de abóbora. Designa, ainda, uma receita usada ao longo dos tempos (até aos dias de hoje) como forma de conservar a fruta, forma de temperar diversos pratos, para adoçar o vinho ou até para fins terapêuticos. Já a uvada está particularmente documentada e associada aos concelhos da Região Oeste, em particular em Torres Vedras, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Cadaval, Bombarral e Sobral de Monte Agraço, mas também em Lourinhã, Alcobaça, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche.

O que distingue a Uvada de Torres Vedras das outras é o terroir onde o mosto (matéria prima) é produzido, que se caracteriza ou define pela proximidade do oceano Atlântico e os solos predominantemente argilo-calcários, cuja textura pode variar entre argilosa e franco-arenosa, produzindo vinhos muito originais. O sol mediterrânico expressa-se em fáceis maturações e força alcoólica, enquanto o tempero Atlântico, de neblinas e brisas estivais, equilibra a acumulação de açúcares, resultando em vinhos marcados por uma refrescante acidez natural e grande mineralidade.

Neste momento Torres Vedras tem 9 produtores ativos.



Projetos convidados

Wine Discoveries – Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras

Wine Discoveries – Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Torres Vedras pretende promover o desenvolvimento de ideias de negócio que contribuam para a divulgação do território e do vinho da região de Torres Vedras e Alenquer. Esta iniciativa, integrada no programa “Cidade Europeia do Vinho 2018 | Torres Vedras/Alenquer”, resulta de uma parceria entre a Incubadora de Negócios de Alenquer, o LabCenter de Torres Vedras e o ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.



Programas de Aceleração Tourism Up e Taste Up

Os Territórios Criativos vão desenvolver, mais uma vez, os Programas de Aceleração Tourism UP e Taste UP, em parceria com o Turismo de Portugal, e o Torres Inov-e vai acolher uma das oficinas do roadshow.

O Tourism UP é um programa de aceleração no setor do turismo que tem como objetivo apoiar startups no desenvolvimento de negócios neste setor, potenciando a inovação e a criação de redes empreendedoras, e o Taste UP é um programa de aceleração em Turismo Gastronómico e Enoturismo, que tem como objetivo promover a inovação e a experiência turística nas áreas da Gastronomia e Vinhos.

Os dois programas têm início com um roadshow por 50 territórios, nos quais é dinamizada uma oficina de capacitação e divulgação dos programas, e, posteriormente, os 36 projetos selecionados terão a oportunidade de desenvolver os seus negócios através da participação em dois boocamps, cada um constituído por dois dias intensivos de mentoria e formação, nos dias 25 e 26 de outubro e 22 e 23 de novembro. Por fim, os programas irão culminar numa apresentação pública final, onde serão selecionados os vencedores, no dia 5 de dezembro.

Os programas disponibilizam 5000€ em prémio monetário e 500€ em SEO (Search Engine Optimization) para o 1º lugar, 1000€ para o 2º lugar e 500€ para o 3º lugar.

Na oficina a realizar em Torres Vedras serão apresentados os programas de aceleração e dinamizadas sessões de formação sobre Oportunidades e Tendências no Turismo, Turismo Gastronómico e Enoturismo, e Empreendedorismo e Proposta de Valor.

  • Organização
    CMTV
  • Promotorres
  • Com Apoio
    Caixa Agrícola de Torres Vedras
  • Patrocinador
    Arena Shopping
  • Viatura Oficial
    GDAuto
  • Água Oficial
    Vimeiro
  • Apoio Técnico
    Biotrab
  • OesteCim
  • Green Destinations
  • 40 anos de Cidade

C.M. Torres Vedras - por Slingshot